12h12m - 13 de Outubro, 2009.
Esqueci quem sou. Se é que algum dia eu soube. Não me revelam muitas novidades. O que sei é que tento saber que nada sei. Mas, não sei se consigo saber que não sei de nada.
Se a confusão me faz sucumbir, que posso fazer? Não sei mais o que pode ser realidade. Não sei mais o que pode ser relativo. Não sei o que é relatividade. Não sei o que é a própria realidade.
Perdi meus princípios. Quiçá nunca os encontrei. Vivo nesse meio emaranhado de sensações que me trazem à loucura. Não digo "sim", sem pensar em dizer "não". Não consigo parar de pensar nos opostos. Eles me levam a outras realidades. Lavam-me a alma.
O silêncio é um bem preciso que não tenho mais. O caos me trouxe o delírio. E eu deliro, sem parar, pelas esquinas que me esperam de braços abertos.
Não sou mais um ser que pode pensar livremente. Sou o que me moldaram. E desse molde eu não me revelo.
Quem eu sou? Seria mais fácil se a cada momento de lucidez, eu conseguisse me decifrar um pouco e tomar nota de tudo para criar um manual da verdade sobre mim.
Não há nada que eu possa dizer que vai mudar o mundo. Isso me acaba! Eu quase não tenho mais validez.
As palavras têm predisposição. Eu sou a preliminar das palavras. Se eu descobrisse um pouco mais de mim... Nunca saberei o bastante. Nunca saberei tudo. Mas agora, basta saber que sou o meio pela qual as palavras vem ao mundo. Basta um pouco de imaginação e eu sou a disposição antecipada das palavras.
Por: Camilla Ribeiro.
31 de outubro de 2009
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